Sobre véus e correntes
Somos frágeis.
Somos constituídos de uma estrutura como um castelo de areia e porcelana.
Somos dominados pela sensação de sermos tão valiosos em nossos mundos interiores.
Aprendemos pela dor. Somos um bolo amargo com recheio de traumas e egos feridos.
Fomos ensinados a estar constantemente em busca de sorrisos, aplausos e afagos.
Nossa capacidade de explorar e crescer foi tão suprimida que nossos mundos se tornaram ínfimos e muitas vezes vazios.
Muitos vivem como alguém que segura o controle remoto e muda de canal, a vida toda, sem entender o que é fazer parte daquela imagem na TV. Que imita o real.
Aprendemos a inspirar e expirar mas não a respirar. Aprendemos a ver mas não aprendemos a enxergar.
Aprendemos a ouvir mas não a escutar. A ler mas não a compreender.
Aprendemos a dar nome aos sentimentos, mas não a senti-los, abraça-los, dar-lhes espaço.
Aprendemos a julgar e não a compreender.
Aprendemos a culpar e não a se responsabilizar.
Aprendemos a estar próximos, mas não a estar juntos.
Aprendemos a sobreviver, mas não a viver. Nossa vida imita o real sem o cruzá-lo.
Aprendemos a lutar um contra o outro, mas não a lutar pelo outro.
Aprendemos a odiar e não a amar.
Aprendemos a amar sem se conectar. Nosso amor é solitário e egoísta.
Viramos máquinas, engrenagens, uma manada de produção.
São muitos os véus que nos mantêm iludidos em nossa própria ignorância. São muitas as correntes que nos imobilizam na superfície de nosso ser.
Buscar o autoconhecimento e mergulhar cada vez mais fundo urge a fim de que salvemos o que resta de nossa dignidade e humanidade. A fim de que abramos os olhos aos efeitos globais de nossa ignorância.
Vamos nos reprogramar!
Deixar o ar chegar nos corações e não só nos pulmões.
Enxergar aquilo e aqueles que estão ao redor.
Sentir a dor e o amor com o mesmo respeito.
Compreender-nos ao ponto da empatia.
Responsabilizar-nos por aquilo que somos e pelo que fazemos.
Viver a beleza do compartilhar.
Amar sem fronteiras.
Cuidar de si e de todos.
Crescer juntos.
Conectar-nos com tudo o que há.
Tivemos nossa humanidade aprisionada em uma caixinha de brinquedos perversos. Mas nós somos nossos próprios algozes. Está em nossas mãos. A vida é compartilhada! Assim como o ar é compartilhado, a terra e o calor também são. A vida é de todos e para todos.
Precisamos lembrar que nada vem fácil. A compreensão de nossa realidade e a expansão de nossa consciência não é brincadeira no parquinho.
Requer determinação, coragem, dignidade e, acima de tudo, humildade.
"Morra tentando dar o seu melhor mas não morra estagnado no medo."
Lembremos principalmente daqueles que nos enxergam de fora. Do alto de uma consciência elevada. Dos que sentem a dor de nossos corações e mentes enfermos há gerações. Que sentem o abandono e o desprezo dos que lhes feriram e ferem a carne, o espírito e a realidade sem compreender a real dimensão e severidade dos próprios atos.
Aprendi a compartilhar minha visão para saber que não estou só e para dizer àqueles que enxergam o mesmo que eu que eles também não estão sós.
Estamos juntos.
Sigamos.
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