O que há nas canções de ninar?



 Tenho reparado há algum tempo que todas as canções de ninar são baseadas em algum evento triste, medonho, perigoso... qualquer coisa oposta ao conforto que deveriam transmitir.
Vejamos:

_''Atirei o pau no gato-to-to, mas o gato-to-to não morreu-reu-reu..."

_"Boi, boi, boi... boi da cara preta-ta, pega essa criança que tem medo de careta-ta..."

_"O anel que tu me destes era vidro e se quebrou, o amor que tu me tinhas era pouco e se acabou..."

_"O cravo brigou com a rosa debaixo de uma sacada. O cravo saiu ferido e a rosa despetalada..."

_"A canoa virou, por deixarem ela virar. Foi por causa do indiozinho que não soube remar..."

_"Oh, mariazinha, mariazinha... entrarais na roda e ficarás sozinha..."

_"Ele bate as asas, ele faz piu-piu, mas tem muito medo é do gavião..."

_"Alecrim, alecrim dourado que nasceu no campo e não foi semeado..."

_" Nessa rua, nessar rua tem um bosque que se chama, que se chama solidão... dentro dele, dentro dele mora um anjo, que roubou, que roubou meu coração..."

E assim vai... tenho mais umas 20 aqui na cabeça, mas já deu pra entender o recado! Isso deveria, supostamente, ninar minha criança???

O sono deveria ser imposto através do medo: "dorme senão mamãe canta a música do boi da cara preta pra vc!"...
"Vovó vai cantar a música do Itororó pra vc meu filho... ah, não quer? Então dorme peste!"
...

Sei não... muuuuuito estranho isso!
Que tal nossos educadores lançarem um outro estilo de canções de ninar que não fizessem nossas crianças dormirem ao som drástico de uma narrativa que violenta a segurança da "hora de ir pra cama"?

Alguém sabe o motivo disso?

;)

Comentários

  1. Agora que você citou, é verdade mesmo, nem tinha reparado nesse detalhe. Mas as mães cantam sem mesmo prestar atenção na letra, vão só pelo ritmo sonolento das músicas.

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